|
Categories:
Topics:
Tools
Monstros saudáveis: os benefícios dos parasitasSubmitted by minh on 22 February 2012
Traduzido por Guadalupe Jácome
Contudo, em vez de viverem nos intestines de cães, gatos ou humanos estes vermes passam os seus dias nos intestines de tubarões roubando nutrients a estes predadores, absorvendo-os antes que o próprio tubarão o possa fazer. Apesar de pequenos números de ténias só forçarem o animal infestado a alimentar-se com maior frequência, populações numerosas podem causar-lhes situações de doença graves. Porém, um estudo conduzido por Masoumeh Malek da Universidade de Teerão, Irão, e a sua uma equipa, descobriu que estes vermes parasitas podem providenciar um valioso serviço aos seus hospedeiros.
Então, enquanto roubam alguns dos nutrients do intestino dos tubarões, as ténias parecem providenciar-lhes um serviço inestimável funcionando como filtros que protegem os predadores de envenenamento por metais pesados (Malek et al., 2007). Descobertas como esta estão a lançar a confusão na definição de parasita. É suposto os parasitas obterem o que precisam prejudicando o hospedeiro e nada dando em troca. Por outro lado, organismos que classificamos como mutualistas trazem benefícios ao hospedeiro e recebem alguns em troca; os comensais, por sua vez, beneficiam um hospedeiro sem nada receber em troca. Assim, é dificil determinar qual o papel das ténias dos tubarões, tradicionalmente consideradas parasitas. Esta confusão não é exclusiva dos parasitas de tubarões, muitos dos parasitas com tendência para usar hospedeiros humanos também estão a levantar questões.
A lógica subjacente à experiência de Turton reside na ideia de que as alergias, eczema e asma, são reações exageradas do sistema imunitário. Em circunstâncias normais o sistema imunitário procura identifica e destrói organismos patogénicos. No entanto, nas pessoas que sofrem de alergias, eczema e asma, o sistema imunitário não ataca só organismos patogénicos mas também materiais que, de facto, não constituem qualquer ameaça.
Apesar de o trabalho de Turton ter tido resultados a sua experiência apenas envolveu um único participante, ele próprio. A “boa ciência”, porém, requer estudos com muitos participantes e a repetição das experiências de modo a confirmar os resultados. David Pritchard e a sua equipa na Nottingham University School of Pharmacyw1, Reino Unido, estão exatamente a tentar fazê-lo. Durante anos, a equipa de Pritchard comparou a prevalência de alergias e asma em países em desenvolvimento, em que os vermes parasitas são vulgares, e países desenvolvidos, onde estes estão quase inteiramente ausentes. Confirmaram os resultados de muitos outros colegas segundo os quais as alergias estão frequentemente ausentes nas regiões em que é vulgar encontrar vermes parasitas nas pessoas. Isto pode sugerir que os parasitas protegem de alergias e asma mas, com tantas outras variáveis diferentes entre países desenvolvidos e em desenvolvimento que podem desempenhar um papel nesta questão, é impossível ter certezas.
Claro que, mesmo que a investigação venha a demonstrar que os parasitas podem ajudar a tratar alergias, põe-se a questão de saber se haverá muitas pessoas dispostas a seguir os passos de Turton engolindo uma mão-cheia de larvas de vermes como remédio. Felizmente podem não vir a precisar disso: na Strathclyde University de Glasgow, Reino Unido, uma equipa de investigadores liderada por William Harnett está a fazer ensaios com uma proteína complexa produzida por um verme parasita (Acanthocheilonema viteae) que infesta roedores. A sua investigação sugere que, mesmo na ausência do verme, a proteína isolada tem a capacidade de reduzir a inflamação alérgicaw2. Apesar de ser ainda necessário muito trabalho para compreender cabalmente o papel desta proteína, existe um potencial real na tentativa de utilisar proteínas de parasitas para controlar alergias, eczema e asma. Talvez o público venha a achar esta solução um pouco mais saborosa? Referências Garner S, Thomas R (2010) EAvaliando um tratamento médico. Science in School 16: 54-59. www.scienceinschool.org/2010/issue16/clinical/portuguese Malek M et al. (2007) Parasites as heavy metal bioindicators in the shark Carcharhinus dussumieri from the Persian Gulf. Parasitology 134(7): 1053-1056. doi: 10.1017/S0031182007002508
Turton JA (1976) IgE, parasites, and allergy. The Lancet. 308(7987): 686. doi: Referências da Internet w1 – Para saber mais sobre o trabalho de David Pritchard e da sua equipa, consultar: www.nottingham.ac.uk/pharmacy/people/david.pritchard w2 – Para mais informações sobre For William Harnett’s work, consultar: http://spider.science.strath.ac.uk/sipbs/staff/Billy_Harnett.htm w3 – Para saber mais sobre o autor, Matt Kaplan, consultar: www.scholarscribe.com Recursos Para saber mais sobre a investigação em vermes parasitas, consultar:
Se gostou deste artigo, poderá pesquisar outros tópicos na Science in School. Consultar: www.scienceinschool.org/sciencetopics
Matt Kaplan é um jornalista científico que trabalha quer em Londres, Reino Unido, quer em Los Angeles, Califórnia, EU, que faz, regularmente, reportagens sobre tudo desde Paleontologia e parasitas a virologia e viticultura. Quando não está preso atrás de uma secretária, faz expedições em regiões selvagens. Consulte o seu websitew3. Opinião Este artigo é uma excelente inrodução aos diferentes tipos de interações entre organismos e pode ser usado de muitas formas. No artigo discutem-se vários tipos de parasitas. Onde se encontram parasitas no dia a dia? Os alunos podem pensar, por exemplo, em endoparasitas como os vermes dos gatos, cães ou peixes de aquário ou então em ectoparasitas como pulgas, piolhos e sanguessugas. Em que órgãos existem estes parasitas e que efeitos têm nos seus hospedeiros? Podem investigar os oerigos e a utilisação de sanguessugas ao longo da história. Podem também investigar o ciclo de vida de um determinado parasite e refletor sobre como a respective anatomia está adaptada ao seu modo de vida. O artigo refere a investigação sobre a interação parasitas sistema imunitário e pode ser usado para introduzir a discussão sobre o referido sistema, os seus constituintes e regulação. E quando o sistema imunitário causa, ele próprio, os problemas? Até que ponto vaõ os conhecimentos dos alunos sobre asma e alergias? Quais são as causas, como podem ser tratadas as alergias crónicas e como deverão reagir numa emergência? O autor introduz a ideia de urilizar parasitas ou extratos destes para tartar alergias. O que sabem os alunos sobre a medicina convencional? Talvez possam discutir antibióticos e resistência bacteriana e também se pensam que, no future, os parasitas poderão ser usados como um remédio alternativo ou suplementar? Podem também discutir o modo como são desenvolvidos e testados novos tratamentos (ver Garner & Thomas, 2010). Os tratamentos devem ser testados só em voluntaries ou é dever de todos os cidadãos participar nestes testes? Quem deve pagar a investigação e quem lucra com ela? Será correto patentear medicamentos? E patentear coisas como sequências genéticas ou organismos geneticamente modificados? Morten Schunck, Dinamarca
|