|
Categories:
Topics:
Tools
Biodiversidade: uma perspectiva de 2009Submitted by celius on 12 July 2010
Traduzido por Artur Melo
A imensa variedade da vida na Terra nunca pára de surpreender. Apesar do facto do mundo estar saturado com seres humanos, novos detalhes que revelam que a vida é cada mais diversificada, continuam a aparecer. Por vezes, estes novos pormenores revelam a existência de novas espécies; por vezes, existem comportamentos ou aspectos químicos que sugerem que as relações ecológicas existentes são mais complexas do que se pensava. Relativamente à descoberta de espécies, o ano passado não foi diferente de outros nas décadas mais recentes, e as novas espécies foram surgindo como resultado de investigação intensa por todo o globo. Algum do trabalho tem usado métodos bastante antiquados, com os investigadores, literalmente, a virar rochas na selva. Outros projectos adoptaram, decididamente, um rumo mais moderno, com equipas de investigação a utilizar a genética para perceber se o que se pensava ser uma só espécie constitui, na realidade, duas espécies. Talvez a descoberta mais intrigante de uma nova espécie, comunicada no ano passado, tenha sido um grupo de vermes que uma equipa, liderada por Robert Vrijenhoek do Aquário de Monterey Bay, encontrou ao largo da costa da Califórnia, EUA. Há cinco atrás, a equipa encontrou vermes a vaguear na proximidade de ossos de baleias e de outros grandes mamíferos no fundo oceânico. Eles aperceberam-se que estes vermes estavam a enraizar-se e a absorver os nutrientes do interior dos ossos de baleia. Eram, bizarramente, animais que se tornaram especialistas em alimentar-se de ossos no fundo oceânico. Inicialmente, Vrijenhoek e a sua equipa, assumiram que os vermes presentes nos ossos eram apenas de uma ou duas espécies, todas a fazer aproximadamente a mesma coisa, porém esse número rapidamente se ampliou para cinco espécies nos anos que se seguiram à descoberta, e em 2009 o número saltou para dezassete. Este facto levou a equipa a propor que deve haver vários modos pelos quais os vermes se alimentam dos ossos.
A biodiversidade não se limita à descoberta de novas espécies. Descobrir novos modos pelos quais as espécies já conhecidas interagem é igualmente importante, e, nesta perspectiva, 2009 foi um dos anos mais fascinantes, já que a investigação revelou que a presença ou ausência das fezes de elefante desempenham um papel importante na biodiversidade.
Para além de sapos, Campos-Arceiz relata no jornal Biotropica que encontrou escaravelhos, térmitas, formigas, aranhas, escorpiões, centopeias e grilos em muitos dos montes de esterco de elefante, sugerindo que um monte de esterco de elefante pode constituir, por si só, um ecossistema. Por outro lado, quando examinou grandes montes de excrementos de outros animais, tal como vacas, não encontrou níveis de diversidade semelhantes. Campos-Arceiz propõe que os anfíbios e os insectos podem estar apenas a seguir os trilhos de excremento e a deslocar-se com as populações de elefantes, o que sugere que os elefantes levam, literalmente, a sua própria biodiversidade para onde vão.
Kubanek e os seus colaboradores referiram na publicação The Proceedings of the National Academy of Sciences USA no ano passado, acreditar que a alga marinha está a criar uma versão própria de uma cicatriz. À medida que a alga é cortada, atacada ou desgastada, acham que ela liberta hidratos de carbono pegajosos, ricos em substâncias anti-microbianas. Estas substâncias impedem, em seguida, que a alga fique infectada e a secreção pegajosa recolhe partículas que flutuam na água para revestir a área ferida. Este tipo de comportamento nunca tinha sido observado em algas marinhas, mas os autores sugerem que pode assemelhar-se funcionalmente à resina que os pinheiros libertam quando cortados. Em termos práticos, a descoberta é importante para desenvolver fármacos que auxiliem na cicatrização de ferimentos, mas, numa perspectiva ecológica mais abrangente, não é menos importante que a descoberta de vermes que alimentam de ossos ou que a utilização das fezes de elefantes como alojamento. De facto, logo quando parecia que a biodiversidade terrestre não poderia ficar mais abundante, os investigadores provam que pode. Agradecimentos O autor gostaria de agradecer aos Drs Vrijenhoek, Campos-Arceiz e Kubanek pelo tempo dispendido na correcção de provas deste trabalho e pelo valioso ‘feed-back’ fornecido. Recursos Para ler mais sobre as descobertas descritas neste artigo, leia os artigos científicos publicados:
Para mais informação sobre o Ano Internacional da Biodiversidade, ver: www.cbd.int
Se gostou deste artigo, talvez queira dar uma vista de olhos a todos os tópicos científicos já publicados na Science in School. Ver: www.scienceinschool.org/sciencetopics Matt Kaplan é um jornalista de ciência, estabelecido em Londres e Los Angeles, que escreve regularmente sobre vários assuntos desde paleontologia e parasitas à virologia e viticultura. Quando não está preso atrás de uma secretária, promove expedições a lugares inóspitos, em vastas regiões do mundo. Ver: www.scholarscribe.com Opinião Este artigo é de leitura bastante agradável e irá, provavelmente, atribuir um significado completamente novo ao termo ‘biodiversidade’ para a maior parte dos leitores. A intenção é mostrar que a biodiversidade é bastante mais abundante do que aquilo que conseguimos imaginar; para o provar, o autor apresenta exemplos que irão surpreender e divertir o leitor. O artigo pode ser útil no estudo da ecologia e, especificamente, na observação do comportamento e das inter-relações entre diferentes espécies de organismos, assim como sugere formas ‘não convencionais’ pelas quais os organismos interagem entre si e com o meio ambiente. O artigo pode ser usado para discutir a biodiversidade e, particularmente, as várias formas que ela pode assumir. Questões de abordagem podem incluir:
Michalis Hadjimarcou, Chipre
|