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Uma aula no espaçoSubmitted by celius on 21 July 2010
Traduzido por M.ª da Conceição Abreu
Como muitos outros, Theodoros sente que há espaço para melhorar o modo como a ciência é ensinada nas escolas. O que mais o preocupa é que, devido a constrangimentos de tempo curricular e à concentração na preparação para os exames de entrada na universidade, muitos professores abandonam a componente mais experimental no ensino da ciência. Ele sente que é difícil os estudantes sentirem-se atraídos pela ciência. “A ciência é, na maior parte das vezes, ensinada de um modo que leva os alunos a crer que as descobertas cientificas são reveladas de uma forma mágica aos cientistas e que são válidas para sempre. Pensa-se que os cientistas são extremamente inteligentes mas pessoas antisociais que trabalham em laboratórios secretos. Como pode um aluno sentir-se atraído por esta ciência? Temos de os convencer que os cientistas são pessoas como eles e que erram como toda a gente. Com actividades tipo “mão na massa” que tratem da vida real, usando métodos tentativa-erro, os alunos podem compreender que a ciência está em todo o lado: no campo de futebol, quando fazem uma chamada telefónica, quando cozinham o almoço. Além disso, acredito que temos de educar os jovens na literacia cientifica de modo a poderem tomar decisões sobre o futuro do nosso planeta.” Para estar em contacto com os avanços da ciência e das ciências da educação, Theodoros passa a maior parte do seu tempo a visitar páginas web e a ler revistas. Foi assim, que entrou em contacto com a competição ‘Take your classroom into space’ da Agência Espacial Europeia (ESA)w1 Diz Theodoros que, “Primeiro vi o anúncio na página da ESAw2, e poucas semanas depois li-o na Science in School”.
“One day, as I was introducing the topic of oscillation to my 12th grade students, I asked them to imagine that they were on board the ISS, in a microgravity environment. What would happen if they pulled down a mass hooked to a spring and “Um dia estava a apresentar o tópico da oscilação aos meus alunos do 12º ano e pedi-lhes para imaginarem que estavam a bordo da ISS, num ambiente de microgravidade. O que aconteceria se puxassem uma massa presa numa mola e depois a largassem? Muitos alunos responderam que nada aconteceria porque não havia gravidade! Após muitas discussões com eles, usando equações conhecidas, os alunos previram por fim o que podia realmente suceder: a massa iria oscilar exactamente como sucede à superfície da Terra!” Theodoros falou aos alunos sobre a competição da ESA e está especialmente orgulhoso por os alunos assumirem o desafio, quando a escola tem dificuldades: “Muitos alunos são imigrantes. Alguns tem dificuldades com a língua. A somar a isto, muitos alunos vêm de famílias carenciadas; portanto, falta-lhes estímulo e têm poucos recursos.” Formularam a sua proposta à ESA, com o título Os objectos não têm peso no espaço, então não têm massa: medição da massa de um objecto num ambiente com gravidade zero, que joga com as ideias erradas dos alunos sobre peso e massa. Demonstra duas ideias importantes: primeiro, que peso e massa não são a mesma coisa, e segundo, que a massa permanece constante quando vamos da superfície da Terra para o Espaço. Os estudantes também vão calcular a massa de um objecto na ausência da gravidade.
“A elevada qualidade da interacção com a ESA foi para mim uma agradável surpresa. A comunicação com a Dr.ª Cristina Olivotto é frequente, particularmente proveitosa e amigável. A ESA age como se fôssemos seus colaboradores há anos. Sinto que tenho novos amigos na Holanda.” “Os alunos descobriram que a ciência pode ser entusiasmante. Estão tão ansiosos pela realização das suas experiências na ISS que me fazem lembrar os cientistas do CERN que não conseguiam esperar pelo início de funcionamento do LHC [para ler acerca de LHC, ver Landua & Rau, 2008, e Landua, 2008]. Quando lhes sugeri isto, eles responderam que se sentiam como se se tivessem tornado cientistas! Nas aulas de ciências perderam o medo de perguntar ‘O que acontecerá se...?’; defendem as suas opiniões, mas também as alteram, e compreendem que só há um modo para decidir se alguma coisa está correcta que é fazer uma experiência.”
“Verifico que os meus alunos e as suas famílias agora vêem a escola de maneira diferente; até há pouco tempo pensavam que a escola era aborrecida ou simplesmente um centro de exames. Agora sabem que a escola é muito mais do que isso. Penso que atingimos esta situação por causa da experiência e estou muito contente enquanto professor.” Theodoros também acredita que, para os alunos, esta experiência abriu-lhes os olhos, e eles agora compreendem que tem realmente a opção de considerar a ciência como uma carreira. “Muitos dos meus alunos que se sentem atraídos pela ciência estão preocupados com as poucas possibilidades de seguir uma carreira de cientista na Grécia. A maioria não tem em conta a possibilidade de trabalhar noutro país europeu. Penso que competições como as da ESA e a participação das escolas em programas de parceria (tais como o eTwinning e o Comenius) lhes podem dar um ideia mais correcta do que os cientistas realmente fazem: usam tecnologia de ponta, encontram-se com pessoas de todo o mundo e viajam imenso –o seu trabalho está longe da rotina. Além disso, conhecer jovens cientistas, o seu trabalho e a sua vida, pode inspirar os alunos.” A nível pessoal, para Theodoros, a colaboração com a ESA também lhe deu a hipótese de satisfazer um sonho de longa data. “Com certeza que seria ainda melhor se eu fosse um astronauta a bordo da ISS, mas uma vez que não estou treinado para isso, não me queixo. Assim, penso que a competição foi uma grande oportunidade para eu chegar ao espaço de um modo inesperado!” Materiais oferecidos pela ESA A Agência Espacial Europeia (ESA) é uma organização internacional responsável pela coordenação dos esforços dos estados membros em programas para saber mais sobre a Terra, o espaço que a envolve, o sistema solar e o Universo. A educação tem grande prioridade para a ESA. Estão conscientes de que as ideias sobre voos espaciais tripulados, a ISS e o espaço em geral provocam um fascínio sobre os jovens, e tentam capitalizar isso para alargar o interesse pela ciência e tecnologia, na esperança de que isso encoraje mais alunos a estudarem e a pensarem em seguir carreiras nestas áreas. Para atingir estes objectivos, apoiam o ensino da ciência produzindo um grande número de materiais educacionais para os alunos do ensino básico, secundário e universitário. Também oferecem aos alunos oportunidades únicas para porem a”mão na massa”, tais como experiências que serão realizadas a bordo da ISS ou em aviões em microgravidade. Para apoiar cada um dos países no ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) criou o ESEROs ( Gabinete de Recursos sobre Educação Espacial Europeia) e pontos de contactos na Holanda, UK, Bélgica, Espanha, Noruega e Irlanda. Eles usam e divulgam os materiais educativos existentes da ESA/ESERO e, quando se justifica, desenvolvem materiais específicos ajustados às necessidades educacionais locais. Os ESEROs também organizam conferências nacionais para os professores do ensino básico e secundário . Para saber mais sobre os materiais educativos e as oportunidades oferecidas pela ESA, basta visitar o portal online de educaçãow5. Referências Hartevelt-Velani S, Walker C (2008) The International Space Station: a foothold in space. Science in School 9: 62-65. www.scienceinschool.org/2008/issue9/iss Hartevelt-Velani S, Walker C, Elmann-Larsen B (2008) The International Space Station: life in space. Science in School Issue 10: 76-81. www.scienceinschool.org/2008/issue10/iss Landua R (2008) O LHC: um olhar no interior. Science in School 10: 34-45. www.scienceinschool.org/2008/issue10/lhchow/portuguese Landua R, Rau M (2008) LHC: um passo mais na direcção do Big Bang. Science in School 10: 26-33. www.scienceinschool.org/2008/issue10/lhcwhy/portuguese Referências da Internet w1 – Para visitar a página de educação da ESA sobre voos espaciais tripulados, ver: www.esa.int/esaHS/education.html w2 – Para mais informação sobre a competição ‘Take your classroom into space’ descarregar o livro do professor e pedir os kits em: www.esa.int/esaHS/SEMNDV0OWUF_education_0.html w3 – Para saber mais sobre o projecto eTwinning, ver: www.etwinning.net w4 – Mais informação sobre o Programa Comenius da Comissão Europeia em: http://ec.europa.eu/education/lifelong-learning-programme/doc84_en.htm w5 – Mais informações sobre o projecto de educação da ESA em: www.esa.int/SPECIALS/Education Ver também:
Lucy Patterson terminou o doutoramento na Universidade de Nottingham, UK, em 2005, e desde então tem trabalhado como investigadora pós-doutorada, primeiro em Oxford, UK, e depois em Freiburg e Colónia, Alemanha. Neste período tentou dar resposta a diferentes questões em biologia do desenvolvimento, o estudo de como os organismos nascem e se desenvolvem até chegarem a adultos a partir de um ovo fertilizado, usando para isso embriões de peixe zebra. Tem um espectro alargado de interesses, é umaentusiasta pela ciência, e está agora a começar a sua própria carreira como comunicadora em ciência.
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