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Imagine… partilhando ideias nas ciências da vida
Submitted by rau on Thu, 2008-05-15 08:40.
Biology | Ethics | Interdisciplinary | Issue 6 | Portuguese | Science education project
Traduzido por Sonia Furtado
“Inter-relacionar investigação e educação para fazer avançar o desenvolvimento sustentável” é a ideia ambiciosa por trás do concurso escolar Imagine, organizado na Holanda. A ideia é simples: investigadores na área das ciências da vida são convidados a apresentar propostas para aplicar determinada tecnologia num país menos desenvolvido. Essas propostas são então transformadas em planos de negócios por alunos de 16-18 anos, num concurso nacional de escolas. Os finalistas apresentam os seus planos de negócios numa conferência internacional, perante uma plateia de profissionais. Mas só um grupo ganha o grande prémio: a concretização do seu plano de negócios e uma visita ao país onde o projecto será implementado.
O sentido da ciência O maior desafio é posto aos alunos das escolas: são eles quem tem que fazer sentido das propostas científicas, extraindo delas o potencial económico. Um manual da competição, que inclui as propostas científicas, é enviado a todos os participantes. A tarefa dos alunos é então discernir os elementos científicos, financeiros e sociais da proposta e defini-los de forma suficientemente detalhada para convencer a audiência de que o seu projecto deve ser implementado. Cabe a cada grupo decidir exactamente qual será o seu plano de acção, mas todos têm que incorporar as respostas às seguintes questões:
Para além de compreender bem a ciência e tecnologia subjacentes à ideia, os alunos são confrontados com um conjunto de questões financeiras, políticas e sociais para resolver. Para os auxiliar nesses campos estão disponíveis duas actividades durante o ano:
A final Um júri profissional selecciona cinco planos de negócio para a grande final da competição, uma conferência internacional em que os finalistas apresentam os seus planos aos profissionais da plateia e do júri. Cada apresentação é apoiada por um vídeo promocional, realizado em cooperação com um produtor cinematográfico experiente. Os alunos recebem treino para esta apresentação, num workshop em que aprendem técnicas de apresentação, bem como dicas e truques de PowerPoint, preparando-os para fazer uma apresentação atraente e de alta qualidade. Depois das apresentações, o júri reune para avaliar os relatórios e apresentações, e escolher o grupo vencedor, cujo projecto é implementado com o apoio da Fundação Imagine. Após um período de angariação de fundos e estabelecimento de contactos, o cientista e os alunos vencedores visitam o país onde o projecto está a ser posto em prática. Depois da sua visita a Moçambique, Chang Liu, aluno vencedor do Imagine 2004, disse “Foi muito mais divertido do que estava à espera. Pensei que o contacto com os cientistas fosse muito formal, mas afinal divertimo-nos todos juntos.” Objectivo: desenvolvimento
Contexto A competição escolar Imagine decorre na Holanda desde 2003; a 5ª ronda começará em Setembro de 2007. A iniciativa foi criada pelo Centro Kluyver de Genómica de Fermentação Industrial (Kluyver Centre for Genomics of Industrial Fermentation), um consórcio de investigação que utiliza genómica microbiana para melhorar micro-organismos usados em processos industriais de fermentação. Em 2005, em associação com a Universidade de Tecnologia de Delft, foi estabelecida a Fundação Imagine Ciências da Vida, para garantir a continuação do concurso escolar e a implementação dos projectos vencedores em anos anteriores. Fazer as ideias funcionar O ponto forte desta competição é a combinação única de três objectivos: incentivar os investigadores a implementarem o seu trabalho para benefício da sociedade; chamar à atenção dos alunos questões relacionadas com o desenvolvimento, e implementar projectos úteis em países em desenvolvimento. Mas este ponto forte é simultaneamente um desafio: organizar a competição requer muito tempo e existem vários potenciais problemas. Se estiver interessado em organizar uma competição semelhante no seu país, os pormenores seguintes poderão ser úteis. Antes de mais, não é fácil escrever boas propostas de projecto. Terá de encontrar investigadores que estejam dispostos a partilhar as suas ideias e investir tempo e empenho no projecto. Em seguida, terá de ser verificada a relevância e enquadramento cultural das ditas propostas, bem como eventuais limitações como direitos de autor. Esta verificação tem de ser feita caso-a-caso, pelo que requer atenção contínua durante o ano.
O sucesso de um projecto não depende necessariamente do seu grau de inovação, mas sim de condicionantes práticos: procura, relação custo/benefício, auto-suficiência e tempo. A chave para lidar com estes desafios é interagir com entidades relevantes. Cooperar com organizações que têm já relações bem estabelecidas com investigadores, escolas (por exemplo, o departamento de comunicação da universidade) e organizações de apoio ao desenvolvimento ajudá-lo-á a evitar alguns destes problemas.
Calendário do concurso escolar
Imagine procura:
Fontes The Foundation supports the establishment of similar competitions in other countries. If you would like further information, email info@foundation-imagine.org or telephone +31 15 278 6626. More information on the Imagine school competition is available here. Opinião O artigo descreve uma competição actualmente realizada na Holanda, que incentiva alunos (do ensino secundário) a desenvolver planos de trabalho para ideias que apoiem países em vias de desenvolvimento, propostas por investigadores na área das ciências da vida. Obviamente, organizar uma competição semelhante noutro país seria um projecto pesado, mas os benefícios que tal competição traria a todos os envolvidos são inestimáveis. Durante a competição, os alunos ganham uma percepção de problemas do mundo real, para além da experiência de trabalhar com cientistas profissionais para compreender e desenvolver soluções práticas para problemas específicos. Os alunos obtêm ainda uma noção do funcionamento do mundo dos negócios, pois não só têm que explicar as bases científicas do projecto a um público não-especializado como também têm de apresentar custos e outras questões relativas à implementação. Para além disso, têm de criar um vídeo promocional, com o auxílio de um produtor profissional – mais uma experiência fantástica para os alunos. Um aspecto que parece inovador é o facto de os alunos receberem instrução em muitas das competências de que necessitarão durante o concurso, por exemplo técnicas de apresentação. Essas competências são aplicáveis em muitos campos, pelo que aumentarão as perspectivas de emprego dos alunos. O concurso tem ainda a vantagem de os alunos vencedores receberem a experiência única de visitar um país em desenvolvimento e ver o seu trabalho tomar forma e ter um efeito real numa comunidade ou família – algo que nunca esquecerão.
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