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Plástico, naturalmente
Submitted by sis on Thu, 2007-08-23 12:28.
Biology | Chemistry | Earth science | Ethics | Interdisciplinary | Issue 5 | Portuguese | Science topic
Traduzido por Olga Martins de Brito
O brinquedo de plástico encontrado na caixa de cereais é um dos clichés mais frequentes do pequeno almoço. No entanto, a eliminação de milhões de toneladas de lixo de plástico é um problema crescente e necessita de um debate bem mais sério do que uma simples conversa ao pequeno almoço. Uma investigação levada a cabo por Colin Webb e pelos seus colegas Ruohang Wang e Apostolis Koutinas do Centro Satake para o processamento do grão (Satake Centre for Grain Process Engineering) na Universidade de Manchester poderá não só resolver o problema da eliminação do plástico usado como também abrir novas portas para a produção deste material.
Como evitar aterros sanitários Os plásticos revolucionaram a vida moderna, fornecendo meias de nylon, chupetas em PVC e até preservativos hipoalérgicos em borracha. Apesar de os plásticos serem produtos petroquímicos, meio bilhão de toneladas deste material são produzidas anualmente a partir de hidrocarbonetos fossilizados. A eliminação de plásticos é um problema sério porque os produtos petroquímicos não se degradam naturalmente. O lixe de plástico pode ser incinerado, produzindo no entanto agentes poluidores. A reciclagem de plástico comporta uma série de problemas, como a limpeza, separação e o desenvolvimento de novas aplicações para materiais de qualidade inferior. Infelizmente, os aterros são o método mais seguro e mais barato para a eliminação do plástico. No entanto, 40% do plástico produzido è acumulado nas lixeiras que estão a encher rapidamente. “Questões ambientais, o aumento das necessidades energéticas, os interesses políticos e o esgotamento das fontes petróleo criaram a necessidade para o desenvolvimento de tecnologias baseadas em materiais renováveis” diz Colin. Juntamente com os seus colegas, ele espera implementar uma técnica alternativa de produção de plástico a partir de uma fonte renovável (como os cereais), substituindo a fonte limitada de petróleo. “A selecção do material bruto de maneira a obter processos sustentáveis depende de factores infraestruturais, económicos e tecnológicos como por exemplo a disponibilidade, mão-de-obra habilitada, tecnologia e custo de produção, e transporte”, explica Apostolis, “Os cereais são dos poucos materiais brutos que actualmente possuem a maior parte desses prerequesitos.” Os cereais são suficientemente nutritivos para manter uma cultura de microrganismos, como o fungo Aspergillus awamori. Esta característica pode ser usada para desenvolver um método genérico para converter o grão em reserva nutritiva e consequentemente em biofuels, produtos químicos ou bioplasticos (plásticos derivados de plantas, e não de petróleo) através da fermentação microbiana.
Actualmente, existem três métodos para a produção de bioplásticos. O primeiro envolve a sua produção intracelular através da fermentação de derivados de cereais ou outros grãos. Este método necessita de passos de extracção e purificação. O segundo método baseia-se no ‘crescimento’ do plástico no interior da planta, esta técnica exige a recolha e purificação do plástico. Finalmente, os cereais poderão ser modificados para produzir diversos precursores através da fermentação. Estes percursores poderão ser recolhidos, purificados e processados em bioplásticos. Os microrganismos podem ser modificados geneticamente de maneira a produzir os bioplásticos desejados. Micróbios inteligentes Os micróbios que produzem bioplásticos utilizam açucares simples (por exemplo glucose) como fonte de carbono e compostos orgânicos nitrogenados (aminoácidos e péptidos de pequena dimensão) como fonte de nitrogénio. Estes nutrientes estão todos presentes nos grãos de cereais. Os grãos também contêm vitaminas e minerais necessários para o crescimento microbiano. Alguns grãos possuem um potencial químico suficientemente elevado para a produção de fontes químicas funcionais. O trigo, por exemplo, contem aglutinina e lípidos (arabinoxilanos, acido fítico e vitaminas) e açucares de cadeia curta. A técnica de ‘pearling’ do grão envolve a remoção das camadas externas do grão seguida da moagem em farinha. A farinha é a fonte de nutrientes e enzimas que os microrganismos necessitam para produzir bioplásticos. “Esta estratégia de refinagem permite a fermentação microbiana para a produção de bioplástico e outros materiais químicos”, diz Colin. “O bioplástico produzido por micróbios encontrará muitas aplicações sobretudo como plástico descartável, por exemplo para produzir embalagens de comida que não podem ser recicladas.”
“O glúten, por exemplo, pode ser usado como bioplástico com muitas aplicações potenciais’, diz Apostolis, ‘enquanto que os arabinoxilanos podem ser usados em aplicações médicas de maneira a que nenhum dos produtos secundários sejam desperdiçados.’ Colin adiciona: ‘as indústrias que actualmente produzem plástico terão de passar gradualmente do processamento petroquímico para o uso de biomassas renováveis. ‘A depleção iminente das fontes de petróleo obrigara a proceder a alteração, tornando os cereais a maior fonte de material para a produção de bioplástico.’ De acordo com Colin, o sucesso deste empenho dependera da colaboração entre parceiros industriais e académicos com conhecimentos sobre as necessidades do mercado, a cultivação de cereais e a análise do ciclo de vida. Colin comenta que este projecto foi abordado de modo a melhorar a economia de produção de bioplásticos através da fermentação microbiana.’ Se estes cientistas forem bem sucedidos, os brinquedos de plástico que encontrara de manhã na caixa de cereais serão tão recicláveis como os cereais em si. Referências da Internet w1 – O EPSRC financia investigação e trabalho de pós-doutoramento em engenharia e ciências físicas em universidades e outras organizações na Grã-Bretanha. Opinião PA produção de plástico não è um tema geralmente abordado nas aulas de ciências, mas este artigo explora um dos campos mais actuais da ciência, tendo em conta os problemas centrais do desenvolvimento da sociedade humana. Actualmente, o desenvolvimento sustentável dos recursos naturais e o aquecimento global causado pelo ser humano são os factores limitantes para qualquer modelo do desenvolvimento social. Enquanto alguns grupos defendem a energia nuclear ou o desenvolvimento de energias alternativas, Bradley demonstra que os progressos na gestão de recursos renováveis poderão ter um efeito positivo. Este artigo descreve eficiência, desenvolvimento sustentável, redução do uso de carbono, recursos naturais e de estrutura da sociedade. Adicionalmente, mostra como a especialização científica (frequentemente criticada) permite a progressão em pequenas áreas do conhecimento e como isto pode ser útil. Durante as aulas, este artigo tem uma aplicação interdisciplinar. Os professores de ciências do ambiente ou de educação ambiental (do ensino básico ou secundário) poderão usá-lo para ilustrar conceitos de base como o desenvolvimento sustentável, o ciclo do carbono e a influência humana neste processo, as mudanças na estrutura da sociedade ou a importância da agricultura e da conservação do solo. Algumas possibilidades relacionadas com o artigo são:
Juan de Dios Centeno Carrillo, Espanha David Bradley è um escritor científico profissional. www.sciencebase.com Este artigo foi publicado pela primeira vez no volume 37 da Newsline, uma revista trimestral que divulga a melhor investigação financiada pelo EPSRC: www.epsrc.ac.uk
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